sábado, julho 17

diário de bordo - um poste grande, sobre (muita) pimenta nos olhos alheios e tempo


Anteontem, dia 15, já não começou bem. Dormi tarde (ok), acordei cedo (não-ok) pra fazer uma coisa que a minha mãe tava me amolando - vai contando aí, as desgraças só vão aumentando- há um tempo.
Desde que a minha mãe inventou essa viagem de última hora pra Venezuela, tem sido um saco. Ela fica o tempo todo estressada querendo arrumar as coisas que não planejou com antecedência, como a renovação dos passaportes, que só fizemos uma semana antes (sendo que o correto seria um mês antes). Nesse dia, por óbvio, já que a minha onda de azar é a maior possível, uma Tsunami, a minha indentidade sumiu. Um stress danado, mas resolvemos sem o documento mesmo. Alguns dias depois, fico sabendo que é preciso ter o cartão de vacinação em dia para viajar, especialmente ter tomado a vacina da febre amarela. Ok, já havia tomado mesmo há 2 anos atrás. Mas... onde está o cartão? A minha mãe, ou o meu pai, nem sei quem, perdeu o cartão. Ah, tudo bem, toma de novo. NÃO. Tenho PAVOR de agulhas.
Procurei essa desgraça de cartão por todos os lados mas era simplesmente IMPOSSÍVEL achá-lo. Então tive que ir ao posto de saúde, pedir uma segunda via, o que não é possível pois não fizeram meu registro. Isso demorou muuuuuuuuito tempo, mais de hora, só pra me falarem que eu tava ferrada, que eu ia viajar naquele dia e ainda havia a possíbilidade de eu não embarcar por causa disso.
E vai atrás de hospital que fornece a vacina, amigo que trabalha no hospital. Não e não. Não consegui e voltei pra casa, de TPM, atrasada para ir sofrer no salão de belezas, pronta pra embarcar. Ou não.
Até aí, nada demais. E você deve estar pensando: 'Mas você já não está na Venezuela? Então deu tudo certo.' Sim, esse é um jeito de pensar, mas eu não ando muito otimista, a garrafa está com a metade vazia nesses ultimos dias.
Sabe o que dá mais raiva? Eu passei esse aperto todo com o cartão de vacinação durante esse dias, essas malditas horas pra nada! Tá, eu sou muito revoltada, eu sei, mas po, nem lembraram que isso existe.
Ok, luíza, menos. continua, vai.
Tá bom.
Fiz minha mala e ainda fui apressada quando na verdade não era eu quem estava atrasada. Fomos para o aeroporto e graças a Deus - ou não - que a TAM iventou esse negócio de chegar 3 horas antes, mesmo pra vôo nacional/internacional. Fizemos o check-in rápido, mas de rápido não teve nada, porque colocaram minha mãe na fila errada (odeio rimar, droga, mas to meio sem tempo de consertar) e isso levou umas 2horas e meia. Eu com a minha santa falta de paciência com a minha mâe e irmã, já tinha saído pra comprar uma batata no Giraffas.
Nota lembrete: nunca mais voltar no Giraffas, pelo menos não no do aeroporto.
Jesus, o que foi aquilo. Pra comprar UMA batata pra tapar a minha fome - porque eu almocei correndo pra fazer as malas - eu fiquei mais de meia hora na fila! Isso já eram 7 horas da noite! Meu Deus, dai-me paciência.
Fora isso, embarcamos numa boa, com a minha mãe enrolando sempre, quase nos fazendo perder o último ônibus que nos levaria até o avião e eu com fome, sinônimo de mais mau humor.
Ah sim, no avião, acabou que os assentos eram livres, e não marcados como o planejado pois juntaram dois vôos no mesmo. Eba! Eba nada, a gente não atrasou? Só sobrou lugarzinho titica, LÁ atrás, na penultima, na frente de umas meninas SUPER chatas que não paravam de chutar a cadeira e cantar músicas ALTO E MAL do tipo Jonas Brothers e Justin Bieber (ó só, JB e JB, credo). Fora isso, o vôo atrasou mais de meia hora, o que é claro nos fez chegar com mais de meia hora de atraso em São Paulo, fazendo com que a distância que havíamos planejado entre um vôo e outro fosse curta o suficiente - mesmo já tendo feito o check-in - pra eu não comer, continuar de fome e mau humor.
Entramos no segundo avião, dessa vez com um bebê (mas confesso que não muito chorão) sentado na frete da minha singela e minúscula poltrona de um voô de praticamente 6 horas. Acho que ninguém fica confortável nessas cadeiras, nem mesmo uma micro pessoa (leia-se minha priminha mais nova, que também veio, J.). Dormi o vôo todo, mas como fiquei bem doída, não dormi tão bem.
Ah, sim. Tenho que adicionar que o jantar do avião estava de-li-ci-o-so, uma maravilha! Mas não era um prato de restaurante, talvez se fosse francês. Uma porçãozinhazinha de carne, de salada e um doce. Nada muito grande. Bom pra não passar mal, ruim pra quem ainda estava com fome: eu.
Chegamos e como toda chegada foi aquela tensão de imigração, pegar bagagem, um táxi oficial. Só que toda essa tensão vezes 2, porque é tudo em espanhol.
Meu Deus, eu não lembrava como é horríiiiivel você querer entender algo e falar e não dar conta. NINGUÉM FALA INGLÊS NESSE MUNDO, SOCORRO.
E outra, vou te contar que depois de um vôo longo desse, chegar às 6 da matina e só poder dar um cochilinho, faz você ficar moído de cansaço.
Entramos no táxi e a primeira coisa que vemos quando saímos são favelas, mais bonitinhas do que as de Salvador, bem melhores do que as do Rio, coloridinhas e talz. Ok, toda metrópole é assim. Mas as favelas não acabam nunca! Caracas é muito feia, parecendo que é tudo de improviso, as pinturas, as placas. Tudo meio destruído pelo 1º mundo, a ditadura evidente no nacionalismo exagerado. Assustador. Feia, sem graça, medonha. Maaaaaaaaaas, ok, é uma cidade grande, a final.
Chegamos no hotel e isso eu tenho que confessar: é maravilhoso, com a arquitetura toda clássica, 5 estrelas e merecedor delas, ou pelo menos 4 delas (eu acho). Só não entendo porque está aqui, nessa cidade esquisita onde todo mundo fala rápido demais.
Pedindo pra falarem devagar, eles até que são simpáticos, os venezuelanos, mas não são tão calorosos quanto, por exemplo, os chilenos. São feiiinhos, sem um traço característico definido e muito educados e sérios, não muito barulhentos, o que é bom.
Depois de estar completamente exausta do vôo, só tenho direito à um banho e vamos tomar café da manhã. Não, não no hotel porque é caro demais (não é nem pensão completa nem meia pensão, é a parte) ou porque o meu tio, que veio conosco, é murrinha demais, CHATO DEMAIS.
Ah, Nota adicional: viemos eu, minha mãe, minha irmã, minha tia, meu tio, minha prima mais nova J, minha prima mais velha (não mais velha do que eu, 11 anos) A, meu avô e minha avó.
Nota lembrete: nunca mais viajar com eles, nem trazendo uma amiga, pra não torturá-la também.
Seguimos o conselho do porteiro do hotel, que foi muito simpático, de comer no lugar logo em frente. Foi muito legal da parte dele, mas... ah, eu não gostei das empanadas, as do Chile são melhores (sim, eu sou uma árdua defensora do Chile, amei lá). Não provei as arepas, pois nem dei conta de terminar a minha empanada. O lugar era meio esquisitinho, simples, mas o povo foi simpático. Mas ser simpático não ia matar a minha fome ainda existente e não-extinda com 1/3 de empanada.
Próxima coisa: pegar um metrô e ir aos museus, já que estava cedo demais pra ir no centro comercial (que nem parecia ser tão bom mesmo). O metrô estava cheio, mas nada assustador. Pelo menos não quando já se pegou o metrô de São Paulo na hora do rush - tenso. O problema é quando você nunca pegou o metrô: leia-se minhas primas e meus avós, que ficaram apavorados e fizeram muito barulho (mais do que de costume), me matando de vergonha (mais do que de costume(2)).
A essa altura eu já estava pra explodir com o meu tio achando que sabe tudo - inclusive falar espanhol (mais atrapalhando do que ajudando, MUITO MAIS) - e sendo incrívelmente barulhento e mal educado com sempre. Irritante.
Apesar de tudo, chegamos bem no Museu de Belas Artes de Caracas. Muito bonito, lindas as exposições. Mas nem todo mundo curte como eu, então ficaram enxendo o saco e me apressando, zombando dumas obras, o que também me irritou.
Droga, to atrasada. Depois termino.
Beijos

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